Os jornalistas e os desenvolvedores de softwares, aplicativos e sistemas sempre tiveram uma convivência proveitosa. Digamos que, até aqui, a segunda profissão sempre completou as lacunas da primeira. E, agora, mais uma possibilidade se apresenta. Essa nova oportunidade se deve ao fato de que a geração Z prefere notícias em vídeo, e isso gera alguns problemas para pessoas que atuam na comunicação social como eu e você, por exemplo.
De acordo com o “Reuters Institute Digital News Report 2025“, 44% da geração Z prefere consumir notícias em vídeo. A amostra da Reuters se refere aos jovens com 18 a 24 anos em 2025, portanto, dentro da faixa da Gen Z, formada por pessoas que nasceram entre 1997 e 2012.
Mas por que isso é importante para nós jornalistas? É que a Z é a primeira geração nativa digital, e os indivíduos que dela fazem parte acabam de entrar no mercado de trabalho, também estão ocupando cargos de gerência e de diretoria nas empresas. São eles quem vão comandar as coisas daqui em diante e, certamente vão consumir mais de tudo, incluindo notícias.
Ocorre, porém, que nem todos os veículos de comunicação fornecem conteúdo neste formato (o de vídeo). Boa parte só publica notícias no formato de texto. Isso acontece porque produzir vídeos de qualidade gera trabalho duplo, às vezes triplo. Isso requer, além do texto, mais imagens e áudios e, consequentemente, mais edição, mais paciência, mais recursos, etc. Como solucionar esse problema?
Índice
Como desenvolvedores podem ajudar jornalistas em um cenário onde 44% da geração Z prefere notícias em vídeo?
Neste cenário atual no qual a geração Z prefere notícias em vídeo, os desenvolvedores podem ajudar os jornalistas criando softwares, sistemas, aplicativos e/plugins para WordPress, específicos para a imprensa, os quais sejam capazes de produzir vídeos a partir de uma notícia-post de forma simples, prática, rápida e financeiramente econômica.
- Simples: ter apenas recursos essenciais, que possam ser aprendidos intuitivamente;
- Prático: a partir da URL da notícia, sistema deve transformar post-notícia em vídeo-notícia;
- Rápido: assim que o jornalista publicar notícia em texto, o app já cria a versão em vídeo;
- Econômico: preços em reais e na medida do bolso de pequenos editores de jornais e portais;
- Específico: orientado apenas para jornalistas usarem exclusivamente neste trabalho.
Alguém poderá dizer que esses apps e softwares já existem. Realmente, existem alguns, mas eles não são específicos para o jornalismo, têm funções que não nos interessam, não são práticos e nem rápidos. Também não são econômicos, posto que a maioria é cobrada em dólar, o que para um editor brasileiro é como pagar cinco, seis e até sete vezes mais.

Recentemente, no contexto do projeto Codesinfo, do Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor), a Folha de S.Paulo criou o Mosaico, uma biblioteca Python para jornalistas com a qual é possível criar e gerenciar composições de vídeos. O problema é que a instalação é um pouco complicada para o usuário comum. E os jornalistas que atuam em pequenos veículos de comunicação não podem se dar ao luxo de utilizar o tempo para aprender e instalar por eles mesmos. Em resumo, nosso sistema criador de vídeo precisa ser mais acessível, realmente democrático, disponível para todos que atuam no ramo da comunicação.
Sugerindo funcionalidades
O básico que o sistema deve fazer é criar uma vídeo-notícia a partir da URL de um post-notícia. Simples assim. Desse modo, em menos de um minuto teríamos um vídeo que poderia ser publicado no Youtube, Shorts, TikTok e outras redes sociais. Acrescentei algumas coisinhas ao nosso “básico” nas funcionalidades 1 a seguir, observe.
Funcionalidades 1
O básico que o sistema deveria ter
- Campo para receber a URL do post-notícia;
- Desmembramento automático das frases do texto;
- Uso das fotos que estão no post para criar o vídeo;
- Possibilidade de acrescentar fotos que não estão no post;
- Imagens e fundos variados para o caso do post não conter fotos;
- Concatenação das frases com as fotos formando vídeos simples;
- Efeitos simples de transição de fotos;
- Trilhas sonoras simples;
- Inclusão automática dos autores do texto e fotos nos créditos do vídeo;
- Possibilidade de editar os créditos do vídeo;
- Possibilidade de acrescentar narração natural (e, talvez, artificial);
- Possibilidade de edição das frases e mudança de posição das fotos;
- Capacidade de gerar vídeos nos formatos 1:1, 16:9, 9:16, entre outros.
É claro, tem muito jornalista que não se contenta com o básico. Eles querem diferenciar o conteúdo deles dos demais, por isso, efeitos que dão movimento para as fotos podem ser interessantes. Além disso, muitos jornalistas não querem ficar copiando e colando links e, por isso, a integração com redes sociais pode ser útil. Saiba mais no card das funcionalidades 2.
Funcionalidades 2
Não necessário, mas bem-vindo
- Aplicação de efeito cinemagraphs nas fotos;
- Aplicação de parallax effect;
- Aplicação de ken burns effect;
- Aplicação de motion graphics;
- Vintage, grunge, sepia e outros efeitos;
- Compatibilidade com dispositivos móveis;
- Integração com Youtube, TikTok e outras redes sociais.
Na medida em que um sistema começa a ficar sofisticado ele também passa a ser mais lento, mais caro, mais difícil de usar e, portanto, menos democrático, tudo o que nós jornalistas não precisamos. Então, os itens das funcionalidades 3 que sugiro adiante podem ou não dar certo.
Funcionalidades 3
Sofisticações que podem ou não dar certo
- Editor visual simplificado, com ferramenta drag-and-drop, para facilitar a montagem dos vídeos;
- Sistema de recomendação de conteúdo visual com sugestão automática de imagens, vídeos e trilhas sonoras;
- Integração de ferramenta para verificação do que é fato e o que é fake em uma notícia;
- Templates para vídeos jornalísticos com motivos para entrevistas, notícias, crônicas, etc.
Conclusão
Conforme o “Reuters Institute Digital News Report 2025”, 44% da geração Z prefere notícias em vídeo. A Z é a geração que está amadurecendo, é a geração do momento. As pessoas que fazem parte dessa geração gostam de acessar notícias a partir de vídeos curtos. Então, vamos dar isso a elas!
Um sistema específico para jornalistas, que seja simples, prático, rápido, acessível e barato, e que permita criar posts-notícias em vídeo-notícias em alguns segundos ou minutos será muito bem-vindo, sobretudo para os jornalistas brasileiros que atuam sozinhos, que trabalham em veículos de comunicação com equipes enxutas.
Um desenvolvedor pode até criar três versões do mesmo sistema, colocando mais ou menos funcionalidades em cada uma delas, e cobrar preços diferentes. Assim, ele conseguirá atender as demandas de diferentes redações jornalísticas. Enfim, desenvolvedores, eu nunca lhes pedi nada… até agora.
Se jornalistas e desenvolvedores se unirem para criar soluções acessíveis e eficazes, o jornalismo poderá se adaptar melhor às necessidades da geração Z e, dessa maneira, aumentar a adesão desse público ao consumo de notícias.



