Pular para o conteúdo

Pesquisadores lançam Dicionário Brasileiro de Narrativas Midiáticas com 102 verbetes

Acaba de ser publicado na web, onde está disponível para download gratuitamente, e será lançado também durante o 23º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo que começou no dia 5 e termina hoje, 7 de novembro de 2025, na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no Paraná, o primeiro Dicionário Brasileiro de Narrativas Midiáticas.

Advertisements

O Dicionário Brasileiro de Narrativas Midiáticas, que tem 342 páginas em formato 14 x 21 cm, é organizada por Agnes Arruda, Demétrio de Azeredo Soster e Mara Rovida, todos eles cientistas, vamos dizer assim, da Rede de Pesquisa em Narrativas Midiáticas Contemporâneas (Renami), que confesso, não conhecia até o momento. Prazer em conhecer. A edição é de João Paulo Hergesel, o projeto gráfico e a diagramação ficou a cargo de Mateus Dias Vilela, e a revisão técnica por conta da Texto Certo Assessoria Linguística.

Mulher visualizado a capa do Dicionário Brasileiro de Narrativas Midiáticas em um tablet.
Dicionário Brasileiro de Narrativas Midiáticas é uma obra que amplia a conversa sobre narrativas ao trazer 102 formatos utilizados para contar histórias. Imagem: mockup do Canva com foto real da capa do dicionário

Dicionário Brasileiro de Narrativas Midiáticas: 102 verbetes que ampliam seu repertório de comunicação

Pelo que entendi, ao menos — ou quase — uma centena de pessoas deu uma “mãozinha” na produção deste livro, a começar pelos organizadores, revisores, diagramadores e conselheiros; passando depois pelos 79 pesquisadores brasileiros da técnica e arte da narrativa que escreveram cada qual, pelo menos um dos verbetes deste projeto; e terminando pela professora Cremilda Medina, que aliás, é a autora do primeiro e do último texto, e tanto no início quanto no fim menciona a palavra “mapa“, como se estivesse abrindo e fechando um ciclo.

Abrindo um parêntese, a Cremilda não é só professora. Ela também é escritora. Não me conhece, mas eu conheço um livro dela intitulado “Entrevista: o diálogo possível“, cujo uma capa de uma das edições da Editora Ática parece uma caixa de remédio, talvez pelo fato de que seu conteúdo seja verdadeiramente uma pomada ou um antídoto contra entrevistas automatizadas e engessadas. Fechando o parêntese.

102 ou 96 verbetes?

Momento alfinetada, não sei se na equipe de produção do Dicionário Brasileiro de Narrativas Midiáticas tem um assessor de comunicação, mas provavelmente o release deve ter vazado para a imprensa com menção a 96 verbetes. Daí que todo mundo que seguiu o suposto release acabou repetindo esse número nas noticias online. O problema é que eu sou meio paranoico e fui verificar, e descobri que tem 102 e não 96. Agora, das duas uma: ou eu não sei contar direito ou a Renami precisa urgente de alguém de exatas na equipe.

Alfinetada a parte, no prefácio do Dicionário Brasileiro de Narrativas Midiáticas, Cremilda escreve “Haverá ausências? Certamente”. E sim, há. Senti falta, por exemplo, de um verbete sobre a resenha, o editorial, a coluna, o infográfico, o storytelling, o release, a copy, o pitch, etc.

Em contrapartida, este mapa das narrativas midiáticas conta com verbetes muito, muito, muito interessantes. Todos eles são, na verdade. Mas tem alguns que eu nem sabia que existiam, que nunca passaram pela minha cabecinha de bagre. É o caso, por exemplo, das narrativas de folkmarketing, modding e mods, e gordofobia midiatizada. Quer dizer, de certo modo até sabia que existiam, mas não sabia que tinham nomes para elas. Caramba, estou desatualizado, mas tudo bem. Já vou mudar isso. Já mandei esse ebook para o meu Kindle. E como não precisei pagar nada por ele, ora, Deus lhe pague!

Advertisements

Eu não contei, mas aparentemente os 102 verbetes do Dicionário Brasileiro de Narrativas Midiáticas têm em média 500 a 600 palavras cada. Eu sei porque já escrevi muitos textos desse tamanho e, enquanto o “folheava” digitalmente, bati os olhos e tive essa impressão. E no momento em que fazia isso acabei lendo, de relance, o nome Monica Martinez, autora de um dos verbetes, o que me deixou surpreso, pois ela foi minha professora no curso de Jornalismo da UniSant’Anna nos anos 2008 a 2012. Provavelmente ela não vai lembrar de mim, pois sou bastante irrelevante, antissocial e facilmente esquecível. Bem, deixa isso para lá.

A Monica é, também, escritora. Dela, eu li o livro “Jornada do herói: a estrutura narrativa mítica na construção de histórias de vida em jornalismo” que é ótimo para quem está no caminho das pedras do jornalismo literário. Recomendo a leitura. No verbete que escreveu para o dicionário, ela cita o professor Edvaldo Pereira Lima, do qual também já fui aluno, mas no treinamento “Narrativas de viagem em estilo de jornalismo literário“, na plataforma Udemy. Esse curso é igualmente excelente. Vale a pena fazer.

Pare de atrofiar sua mente no Tiktok e comece a ler o Dicionário Brasileiro de Narrativas Midiáticas

Voltando ao Dicionário Brasileiro de Narrativas Midiáticas, vale mencionar que ao dar nomes aos tipos de narrativas, os organizadores nos mostram que existe uma enorme diversidade delas, e deixam em aberto um espaço para que possam ser acrescentadas outras mais em possíveis próximas edições.

Além de preencher um deserto de conteúdo nessa área, esse dicionário pode aumentar o repertório dos comunicadores, que sabendo da existência dessas narrativas podem agora utilizá-lo em solo ou combiná-las, inovando na forma de produzir conteúdo.

Os autores foram muito felizes em organizar este livro. Eles formaram, como diria o sociólogo Domenico de Masi, um grupo criativo e foram geniais em administrar a obra. Obrigado, Renami!

Enfim, este é um livro que baixei e agora estou lendo gratuitamente, e que parece ser muito esclarecedor. Em outros tempos, há uns 20 anos, ele certamente custaria uns R$ 80,00 ou mais na agora extinta Catedral do Livro, a Livraria Cultura. Então, se eu fosse você, fecharia o app do TikTok, desligaria o telefone, pararia as máquinas, faria o download do Dicionário Brasileiro de Narrativas Midiáticas e começaria a lê-lo agora mesmo. E como você vai fazer isso? Comece clicando aqui em “fazer download do dicionário“!

Advertisements
Marinaldo Gomes Pedrosa

Marinaldo Gomes Pedrosa

Marinaldo Gomes Pedrosa é bacharel em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pela UniSant'Anna. É registrado como Jornalista pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego sob o MTB número 0074698/SP desde 27 de setembro de 2013. Ele também é editor na Magpe Books.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Share to...