A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) realizou no dia 28 de agosto uma sessão solene em homenagem ao jornal O Estado de S.Paulo, que em 2025 completou um século e meio de existência. Neste ano, o jornalão funciona sob o lema “Estadão 150 anos“. Ele é o mais antigo jornal paulista ainda em funcionamento.
Presidida pelo deputado estadual Thiago Auricchio, do Partido Liberal (PL), a sessão contou com a presença do presidente do Conselho de Administração do Estadão, Francisco Mesquita Neto; do CEO da S/A O Estado de S. Paulo, Erick Bretas; e do vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), José Antonio Encinas Manfré; entre outras pessoas.

Durante o evento, Mesquita Neto agradeceu a homenagem, e disse que os paulistas que criaram o Estadão eram liberais, democratas, empreendedores e abolicionistas. Bretas, por sua vez, comentou que o Estadão de hoje não é apenas um jornal, mas uma plataforma de comunicação.
Estadão 150 anos: uma breve história do mais antigo jornal em atividade em São Paulo
Fundado em 4 de janeiro de 1875 com o nome A Província de São Paulo, o Estadão é um empreendimento de um grupo de cafeicultores, empresários e políticos republicanos, entre os quais destaca-se a figura de Francisco Rangel Pestana (1839-1903).
No início, o jornal visava enfraquecer a monarquia para, assim, implementar a república. Na época, D. Pedro II era o imperador do Brasil e o país funcionava sob um sistema escravista. Os republicanos fizeram circular dois mil exemplares do jornal, que tinha só quatro folhas, no começo. A baixa tiragem, porém, já era suficiente para um período em que o estado não tinha escola e poucos sabiam ler.
Com o fim da monarquia no Brasil, em 1889, o jornal sobrevivia meio capenga, com baixa verba publicitária. Mas no ano seguinte, o jornalista Júlio César Ferreira de Mesquita (1862-1927) começou a dirigir a empresa de comunicação e lhe deu nova vida. Foi quando o jornal mudou de nome, passando a ser chamado de O Estado de São Paulo. Em 1902, Mesquita adquiriu o controle total do jornal. Seus herdeiros estão no comando da empresa até hoje, comemorando com o lema “Estadão 150 anos”.
Estadão 150 anos: 10 coberturas históricas
Ao longo dos seus 150 anos, apesar de ser um jornal com inclinação regional paulista, o Estadão expandiu seu alcance, protagonizando assim algumas das maiores coberturas jornalísticas em vários eventos de grandeza nacional e internacional. Leia no card.
Canudos por Euclides da Cunha
O jornal enviou Euclides da Cunha ao sertão baiano. De lá, o jornalista relatou diariamente por meio de cartas e telegramas os confrontos entre o exército brasileiro e a comunidade de Canudos, que tinha como líder o místico Antônio Conselheiro. Seus relatos ao jornal foram a base para o livro “Os sertões”.
Entrevista exclusiva com Fidel Castro
O Estadão reportou como Fidel Castro passou de guerrilheiro a líder de Cuba. Primeiro, o jornal cobriu a prisão do cubano após tentativa de revolução fracassada em 1953. Depois, em 1959, enviou José Quiroga para entrevistar Castro enquanto este marchava e caminho de Havana, onde se tornaria o primeiro-ministro do país.
Revolução de 1932
Nos anos 1930, o Estado de S.Paulo noticiou e mobilizou cidadãos para a exigência de uma nova Constituição em pleno governo de Getúlio Vargas. Um confronto eclodiu e membros da família Mesquita se alistaram e foram à frente de batalha. Calcula-se que mais de 700 constitucionalistas morreram nesta guerra. Após a derrota, o jornal sofreu repressão.
Guerrilha do Araguaia
A Guerrilha do Araguaia era um movimento do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) atuante entre os anos de 1967 e 1974, que tinha como objetivo derrubar a Ditadura Militar iniciada em 1964 e promover, dessa maneira, uma revolução comunista como aquela ocorrida em Cuba. O Estadão, que havia apoiado a ditadura no início, revelou a existência do grupo na Amazônia.
Caso Panama Papers
O Estado de S.Paulo participou, em 2016, do esforço investigativo internacional para expor esquemas de evasão fiscal e lavagem de dinheiro em paraísos fiscais. Ao todo, 76 países tiveram jornalistas que atuaram no projeto. A investigação culminou na descoberta de bilhões de dólares decorrentes de corrupção em contas secretas, todas elas em paraísos fiscais.
O Estadão também cobriu
Impeachment de Collor
Cobertura intensa do processo que culminou na renúncia do presidente, com imagens emblemáticas e reportagens investigativas.
Pandemia de Covid-19
Realizou força-tarefa com outros veículos para divulgar dados reais sobre contaminação, mortes e vacinação, combatendo fake news.
Corpo de Che Guevara
Foi um dos primeiros veículos a chegar ao local da execução e trouxe detalhes sobre a identificação do líder revolucionário.
Crise do Muro de Berlim
Cobriu a queda do muro com destaque para o erro de comunicação do porta-voz do governo da Alemanha Oriental, Günter Schabowski, que levou multidões às ruas e acelerou o colapso do regime.
Tragédia do Joelma
Mobilizou 48 repórteres e 11 fotógrafos para cobrir o incêndio que matou 187 pessoas em São Paulo, em 1974.
Essas dez coberturas emblemáticas mostram como o Estadão não apenas acompanhou os grandes acontecimentos da história, mas também os interpretou, denunciou e influenciou; e até participou deles, para o bem ou para o mal. Não é à toa, portanto, que ele é um dos maiores jornais não apenas de São Paulo, mas do Brasil e da América Latina.
Estadão 150 anos futuros
Aproveitando o gancho da homenagem feita pela Alesp acerca do Estadão 150 anos, que aborda os anos passados, é bom informar também como poderão ser os anos futuros do jornal. Mais do que um jornal, os donos da empresa prometem entregar uma plataforma de comunicação com vários canais. Para tanto, eles já estão investindo em formatos digitais, redes sociais, cobertura ampla para diferentes públicos, eventos de inovação e renovação da identidade, entre outras ações. A ideia é investir em novos formatos para, dessa maneira, estar presente onde a audiência estiver.



