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Google Pinpoint: como desbloquear pautas jornalísticas em grandes volumes de dados?

Uma ferramenta do Google chamada Google Pinpoint está ajudando jornalistas na descoberta de pautas jornalísticas em documentos de forma prática, rápida e eficiente. Neste artigo, nós vamos juntos explorar as possibilidades desse recurso.

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Além disso, vamos dar uma espiada em um estudo de caso. Veremos como jornalistas do Tampa Bay Times, nos Estados Unidos, utilizando o Pinpoint, expuseram os perigos em uma fundição de chumbo para os funcionários e para a população local.

O que é Google Pinpoint?

Do idioma inglês, a palavra pinpoint significa “identificar com precisão” ou simplesmente “localizar”. E é exatamente isso o que o Google Pinpoint faz. E, sendo assim, é extremamente útil para jornalistas como você.

O Pinpoint, Google Pinpoint ou Pinpoint do Google, como quiser chamar, é uma plataforma de pesquisa criada pela Google News Initiative para auxiliar jornalistas a organizar, pesquisar e analisar grandes volumes de dados, entre os quais fotografias, áudios, vídeos, textos e até anotações manuscritas. Para tanto, ela usa inteligência artificial.

Foto meramente ilustrativa de homem analisando dados na tela de um computador. A imagem remete ao uso de Google Pinpoint no jornalismo.
Com o Google Pinpoint, jornalistas ganham superpoderes para investigar, transcrever e transformar dados em grandes histórias. Foto meramente ilustrativa: @rawpixel.com | Freepik

Basicamente, essa ferramenta possibilita agrupar milhares de documentos em um só lugar, o que é chamado de coleção. A partir daí é possível pesquisar informações dentro da coleção usando palavras-chave e parâmetros de pesquisa do Google Search.

Quais os principais recursos do Google Pinpoint?

O Google Pinpoint tem alguns recursos muito interessantes sobretudo para quem está à procura de uma boa pauta jornalística para uma reportagem. Em geral, jornalistas investigativos estão adorando essa ferramenta. Ela tem como principais recursos:

Agrupamento e pesquisa de documentos

Você pode carregar e agrupar até 200.000 documentos em cada coleção dentro da plataforma. É possível fazer uploads de arquivos com diferentes tipos de extensões, tais como DOCX, PDF, PPT, TXT, MP3, MP4, HTML e CSV, entre outros.

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Dessa maneira, você pode fazer pesquisas em formulários e tabelas, arquivos de áudio e vídeo, documentos digitados e manuscritos, fotografias e ilustrações. E ao exportar arquivos do Gmail e depois importá-los para a plataforma, os e-mails também poderão ser pesquisados e analisados.

Transcrição de áudio e vídeo

Outro recurso importante para jornalistas é a possibilidade de transformar gravações de vídeo e de áudio em arquivos de texto. Isso certamente pode agilizar bastante a transcrição de entrevistas, palestras, reuniões e discursos, entre outras coisas.

Na maioria das vezes, é mais fácil encontrar dados em informações textuais. Isso também é mais acessível para jornalistas com deficiência auditiva. O processo de transcrição facilita, ainda, a tradução do conteúdo para diferentes idiomas, conforme a demanda.

Traduzir documentos estruturados em dados úteis

O Google Pinpoint consegue identificar dados em formulários, relatórios e registros diversos. Ele pode reconhecer e extrair esses dados, proporcionando dessa maneira mais rapidez na produção de pautas e na apuração jornalística.

A plataforma consegue, ainda, organizar os dados em planilhas. Desse modo, fica muito mais fácil para você filtrar dados por meio de diferentes critérios, e gerar gráficos para facilitar a visualização. Isso permite encontrar dados específicos em milhares de documentos.

Compartilhamento de coleções

Cada nova coleção que você cria dentro da plataforma é, por padrão, particular. Ninguém tem acesso a ela a não ser você. Entretanto, um botão Compartilhar no topo do painel permite adicionar os e-mails das pessoas que poderão ver o conteúdo da coleção.

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Outro botão, o Publicar, possibilita tornar a coleção visível para todo mundo. Na página inicial do Pinpoint você pode, inclusive, navegar por coleções publicadas por outras pessoas e empresas como a Band Jornalismo, The New York Times e Folha de S.Paulo, por exemplo.

Como usar o Pinpoint?

O primeiro passo para usar o Google Pinpoint é fazer login com seu e-mail na plataforma. Depois, faça o upload dos documentos que você pretende pesquisar e analisar para criar suas pautas jornalísticas. Para isso, tem um botão chamado Adicionar Documentos bem visível.

Com os documentos carregados, é hora de iniciar a pesquisa. Digite no campo Pesquisar Documentos uma palavra-chave específica. Pode ser, por exemplo, o nome de uma pessoa, uma instituição, um processo, o que for necessário para criar sua pauta.

Esse campo de pesquisa é semelhante ao do Google Search. Isso significa que você pode usar operadores como aspas para buscar frases exatas, hífen para excluir determinados termos, e asterisco para substituir palavras desconhecidas em uma expressão.

Estudo de caso de uso do Google Pinpoint

Jornalistas do Tampa Bay investigam envenenamento por chumbo na Flórida

Em 2019, os jornalistas Eli Murray, Rebecca Woolington e Corey G. Johnson, do Tampa Bay Times, iniciaram uma investigação sobre envenenamento de pessoas por chumbo na água no condado de Hillsborough, na Flórida.

Nos 18 meses seguintes, eles pesquisaram e analisaram tudo o que puderam sobre uma fábrica de reciclagem de baterias da região, a Gopher Resource em East Tampa, única que tinha uma fundição de chumbo. Utilizando o Google Pinpoint, a equipe de repórteres analisou mais de 100.000 páginas de registros médicos do governos, inúmeras entrevistas e outros documentos.

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O cruzamento de dados revelou que 8 em cada 10 trabalhadores de 2014 a 2018 tinham níveis de chumbo muito altos no organismo, mostrou que determinados lugares da fábrica tinham níveis de chumbo acima do permitido pelo governo federal, e deixou claro que os diretores da Gopher Resource tinham conhecimento disso.

Resultados

Entre 2021 e 2022, os repórteres publicaram a reportagem Poisoned (Envenenado) em três partes, nas quais detalharam a fábrica, as falhas e as consequências. Essa reportagem rendeu ao Tampa Bay Times o Prêmio Pulitzer de jornalismo investigativo em 2022.

Repórteres do Tampa Bay Times ganham o Prêmio Pulitzer pela série ‘Poisoned’. Fonte: Tampa Bay Times | Youtube

Após a veiculação da reportagem, a Gopher Resource passou a receber processos judiciais. Além disso, reguladores municipais e federais começaram a inspecionar a fábrica com mais veemência, aplicando a princípio US $ 800.000 em multas.

Observe que a IA do Google, a Gemini, está integrada com a plataforma. Por meio dessa IA você pode buscar a resposta para uma pergunta, resumir, comparar, extrair dados ou rotular um ou mais documentos. Observe também que, logo abaixo do ícone da Gemini há aquele botão com três traços horizontais. Ao clicar ali é possível encontrar listas pré-prontas com nomes de pessoas, organizações e locais encontrados nos documentos da sua coleção.

Quanto aos vídeos e áudios, a plataforma faz a conversão imediata assim que o upload é feito. A transcrição aparece em um arquivo PDF. Cada pedaço transcrito para texto tem também controle de áudio para que seja possível ler e escutar o trecho concomitantemente, permitindo assim verificar se a transcrição está perfeita.

Como se pode observar, o Google Pinpoint é fácil de usar e é eficiente. Com essa ferramenta, jornalistas podem criar diversas coleções de dados, uma para cada pauta, facilitando as fases de apuração, checagem e produção de reportagens. Aprender a usar essa plataforma pode se tornar um excelente diferencial para o seu currículo.

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Marinaldo Gomes Pedrosa

Marinaldo Gomes Pedrosa

Marinaldo Gomes Pedrosa é bacharel em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pela UniSant'Anna. É registrado como Jornalista pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego sob o MTB número 0074698/SP desde 27 de setembro de 2013. Ele também é editor na Magpe Books.

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