Joseph Pulitzer (1847-1911) foi um jornalista e editor húngaro, lembrado por causa do Prêmio Pulitzer, mas também por apontar o conteúdo de seus veículos de comunicação para as pessoas comuns em uma época na qual os jornais se dirigiam à elite. Além disso, ele ajudou a criar as bases para o jornalismo moderno ao introduzir ou refinar técnicas de apuração, edição, design e publicação na imprensa.
Filho do comerciante de grãos, Philip Pulitzer, e de Luise Berger, Joseph recebeu educação de primeira qualidade, em Budapeste, de modo que em 1864, aos 17 anos, ele era um poliglota que sabia falar os idiomas francês e alemão, além do húngaro, e um pouco de inglês. Entretanto, ele não tinha nenhuma aspiração para uma profissão intelectual como a de jornalista. Ao invés disso, decidiu alistar-se no exército de seu país, mas por conta de problemas de saúde, foi dispensado.
Com o fim da adolescência, Joseph Pulitzer decidiu seguir seu próprio caminho. Reconheceu uma oportunidade para isso quando descobriu que havia uma pessoa recrutando caçadores de recompensas para o exército da União dos Estados Unidos. O jovem húngaro aceitou a oferta e lutou nos anos finais da Guerra da Secessão (1861-1965) ao lado dos federados.
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Ao final da guerra, Pulitzer viu-se em uma realidade miserável. Não tinha dinheiro nem teto, e frequentemente dormia nos bancos das praças. Precisou trabalhar em sub-empregos braçais, de baixos salários, como carregador de malas, marinheiro e até coveiro. Logo, porém, tomou a decisão de mudar-se de Nova Iorque para o Missouri, e isso mudou o curso de sua vida para sempre. Continue lendo.
O jornalista Joseph Pulitzer
No Missouri, Joseph Pulitzer conheceu um dos proprietários do jornal alemão The Westliche Post. Era o ano de 1866. Como Pulitzer era fluente em alemão, foi contratado como repórter. Este foi o início de sua imersão no universo do jornalismo.
A vida pessoal de Joseph Pulitzer
Joseph Pulitzer, filho de Philip e Louise Berger, nasceu em 1947. Seu pai morreu quando ele tinha apenas 11 anos. Alguns anos mais tarde, sua mãe casou-se com Max Blau, e este pode ter sido um dos fatores que fez com que Joseph se mudasse para os EUA.
Nos EUA, Joseph Pulitzer casou-se com Katherine Davis, em 1878, e teve sete filhos ao longo dos anos seguintes, sendo quatro mulheres, Lucille, Katherine, Edith e Constance; e três homens, Joseph, Herbert e Ralph Pulitzer. Este último foi quem assumiu o legado jornalístico do pai.
Ao longo de sua vida, Joseph Pulitzer lutou contra vários problemas de saúde. Tinha problemas de visão desde a juventude. Teve diabetes, asma e reumatismo. E além disso, tinha neurastenia, uma doença caracterizada por pressão na cabeça, zumbidos no ouvido, esgotamento físico e emocional, provavelmente derivada de sua condição de viciado em trabalho.
A neurastenia causava alta sensibilidade aos ruídos, de modo que ele passou a construir casas que lhe pudessem oferecer maior conforto. Nada funcionou, até que ele teve a ideia de construir um navio. Ele contratou a empresa de arquitetura naval G.L. Watson & Co para fazer o projeto de um iate de luxo a vapor, que depois foi construído pela Ramage & Ferguson Ltd. O barco, que tinha 268 pés e que custou US$1,5 milhão, foi lançado em 1907 e entrou em serviço em 1908. Seu quarto tinha cortinas, que abafavam os ruídos. Isso, sim, foi um refúgio que o ajudou a melhorar sua qualidade de vida.

Joseph Pulitzer batizou sua casa flutuante com o nome Liberty em uma clara alusão à Estátua da Liberdade, para a qual ele havia liderado uma campanha de arrecadação de US$100 mil destinados à construção do pedestal de granito de 89 pés para a instalação do ícone na Liberty Island, ao sul de Manhattan.
No Liberty, ele contava com uma tripulação com 45 a 65 tripulantes com maquinistas, engenheiros, marinheiros, cozinheiros e serviçais, e além disso, assistentes editoriais que o ajudavam com os afazeres do jornal do qual era o dono, o New York World. Ele morreu a bordo no dia 29 de outubro de 1911.
Já em 1869, aos 22 anos, envolveu-se com política. Como republicano, venceu uma eleição tornando-se, dessa maneira, representante dos interesses do Quinto Distrito de St. Louis. De acordo com informações do website Historic Missourians, enquanto esteve no cargo propôs reformas e combateu a corrupção.
Quando chegou o ano de 1872, Pulitzer comprou parte do jornal The Westliche Post. Ele tinha 25 anos na época. Agora, além de jornalista, ele era um editor. Dois anos depois passou a trabalhar como repórter para o New York Sun. Mas em 1876, vendeu sua parte do The Westliche Post e iniciou um ano sabático. Retornou à Hungria.
Em 1878, Joseph Pulitzer viajou novamente para os EUA. Em St. Louis, arrematou o St. Louis Dispatch em um leilão, tornando-se um empreendedor da comunicação. No mesmo ano, integrou o jornal Post ao seu próprio jornal, ao que surgiu desta fusão o St. Louis Post and Dispatch. Neste empreendimento, ele praticou a essência do jornalismo. Denunciou monopólios, fraudes, sonegadores e todo tipo de corrupção. Ele aumentou a tiragem do jornal e, também, o número de inimigos.
Características inovadoras dos jornais de Joseph Pulitzer
Apesar de não ter inventado tudo do zero, Joseph Pulitzer ajudou a sistematizar, refinar e popularizar diferentes abordagens jornalísticas que são utilizadas ainda nos dias atuais.
- Manchetes em letras garrafais: Pulitzer foi pioneiro no uso de manchetes chamativas e em letras grandes. Ele fazia isso para capturar a atenção dos leitores.
- Uso intenso de imagens e gráficos: ele compreendeu a importância do apelo visual e incentivou o uso de ilustrações e fotografias. Com isso, tornou as notícias mais acessíveis para as pessoas comuns.
- Cobertura de crimes e desastres: embora a cobertura de crimes já existisse, Pulitzer a elevou a um novo patamar. Ele começou a focar em narrativas dramáticas que ressoavam com seu público-alvo.
- Jornalismo investigativo: Joseph Pulitzer utilizou seu jornal para investigar e denunciar a corrupção. Esta foi uma marca importante de seu legado.
- Seções dedicadas às mulheres: seu jornal tinha uma ala para o público feminino, com temas relevantes para elas. Ele reconheceu a importância desse segmento de leitores.
- Página para esportes: foi um dos primeiros a dedicar espaço significativo para a cobertura esportiva. Seu objetivo com isso era atender o apelo popular às atividades físicas e ao lazer.
- Cartoons e quadrinhos políticos: usando sátira e humor em formato visual para comentar eventos políticos e sociais, Joseph Pulitzer tornou a crítica mais acessível para as pessoas comuns.
- Linguagem simples e direta: simplificou a linguagem jornalística e, desse modo, fez com que as notícias se tornassem mais compreensíveis para todos os públicos, democratizando a informação.
- Defesa de causas sociais: Pulitzer usou seu jornal para defender causas sociais, apoiar trabalhadores e promover reformas. Ele fazia um jornalismo com propósito de transformação social.
- Foco no leitor comum: para Pulitzer, o jornal devia servir ao povo e não aos interesses dos homens ricos ou dos homens de poder.
Depois dessa aventura no Missouri, Joseph Pulitzer mudou-se para Nova Iorque, onde comprou o falido jornal New York World, em 1883. Além de problemas financeiros, o periódico tinha pouca influência no país. Para o novo dono, entretanto, isso não era um problema. Usando sensacionalismo, isto é, o jornalismo amarelo para atrair o público de massa, reportagens investigativas para expor a corrupção dos ricos, inovações gráficas e visuais como ilustrações e caricaturas para facilitar a leitura, e até cobertura internacional, tudo isso por um preço acessível, ele transformou o New York World em um dos jornais de maior sucesso dos EUA.
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O Prêmio Pulitzer
Em seu testamento escrito em 1904, Joseph Pulitzer incluiu a criação de um prêmio para incentivar a excelência no jornalismo, teatro e educação, além do oferecimento de cinco bolsas de estudos. Para tanto, ele fez uma doação de US$1 milhão à Columbia University Graduate School of Journalism. Seis anos após sua morte aconteceria a primeira edição. Nascia assim, em 1917, o Prêmio Pulitzer, que é administrado pela Columbia University até os dias atuais.
Com o tempo, outras categorias foram integradas, tais como a música em 1943, o jornalismo online em 1997, o conteúdo digital em 2006, as organizações exclusivamente digitais em 2009, e as revistas impressas e digitais em 2016.
Originalmente, a premiação era de US$500 para o melhor artigo editorial; US$1.000 para cada um dos vencedores da melhor reportagem, romance americano, peça teatral original e biografia americana; e US$2.000 para o melhor livro sobre história americana.
E ao jornal que prestasse o melhor serviço público no ano anterior seria concedida a medalha de ouro desenhada pelo escultor Daniel Chester French e por Henry Augustus Lukeman, que tem Benjamin Franklin, que também foi jornalista, gravado em uma face; e um homem trabalhando na prensa na outra. Atualmente, os vencedores da maioria das categorias recebem US$15.000. A medalha icônica é concedida apenas para organizações na categoria “Serviço público”.
O fotógrafo documental, Maurício Lima, foi o primeiro cidadão brasileiro a receber o Prêmio Pulitzer. Ele foi condecorado em 2016 pelo seu ensaio sobre a crise dos refugiados na Europa e no Oriente Médio. Em 2023, outro fotojornalista brasileiro, Felipe Dana, ganhou o prêmio por uma série de 15 imagens sobre a guerra na Ucrânia feitas por uma equipe da Associated Press da qual ele fazia parte.



