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O preço da reportagem: 4 casos que cruzaram a linha dos US$100 mil

Qual o preço da reportagem? A maioria das empresas de jornalismo não divulga o quanto gasta para produzir e publicar uma reportagem. Mas, de vez em quando um ou outro editor vaza alguns dados. E em algum lugar qualquer desse planeta azul sempre tem alguém com Transtorno Compulsivo de Acumulação que guarda essas informações. Bem, vamos acessar algumas delas a partir de agora. Por que não?

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Vai pra Argentina, c4r4j0

No dia 9 de outubro foi lançado o documentário “Vai pra Argentina, c4r4j0” (2025), do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), que denuncia manipulação midiática com uso de fake news a favor do presidente daquele país, Javier Milei. O filme, que é uma videorreportagem dirigida pela atriz Juliana Baroni e pelo jornalista Fabián Restivo, custou ao ICL quase R$1.000.000,00 (um milhão de reais) ou US$182.800,00 na cotação atual. Quem vazou a informação foi o próprio co-fundador do instituto e também apresentador do documentário, o economista, escritor e empresário brasileiro, Eduardo Álvares Moreira, em um vídeo em seu canal no Youtube. “A gente gastou uma fortuna para fazer. Pelo menos para os nossos padrões”, disse.

Poisoned

Os jornalistas Eli Murray, Rebecca Woolington e Corey G. Johnson publicaram no Tampa Bay Times, um jornal veiculado em St. Petersburg, Flórida, Estados Unidos, a reportagem Poisoned (2021). A matéria, que veiculou em três partes, requereu uma investigação que durou 18 meses. No final, ela revelou como centenas de trabalhadores da fábrica Gopher Resource, localizada na região, foram expostos a níveis perigosos de chumbo. Cruzando dados por meio da ferramenta Pinpoint, do Google, os jornalistas descobriram que 8 em cada 10 trabalhadores, de 2014 a 2018, haviam sido envenenados, que algumas partes da fábrica estavam fora dos padrões permitidos pelo governo, e que os diretores sabiam disso. O Tampa Bay Times investiu US$500.000 (quinhentos mil dólares) na produção da reportagem, equivalentes a R$2.732.950,00 na cotação atual. A reportagem rendeu aos jornalistas o prêmio Pulitzer de 2022.

Repórteres do Tampa Bay Times ganham o Prêmio Pulitzer pela série ‘Poisoned’. Fonte: Tampa Bay Times | Youtube

Overdose

A investigação jornalística “Overdose” (2013) que durou dois anos entregou ao website ProPublica uma série com 16 reportagens sobre os riscos do paracetamol, princípio ativo do medicamento Tylenol. Publicadas por vários jornalistas, entre os quais Jeff Gerth e T. Christian Miller, as reportagens denunciaram que apesar da imagem de segurança promovida pela fabricante, McNeil Consumer Healthcare, subsidiária da Johnson & Johnson, cerca de 1.500 estadunidenses haviam morrido na última década por conta do uso excessivo da substância. E o pior, a Food and Drug Administration (FDA) sabia do problema há anos. A produção das reportagens custou US$750.000 (setecentos e cinquenta mil dólares) ou R$4.101.750,00 na cotação atual. Elas exerceram pressão sobre a FDA, aumentaram a atenção pública aos riscos do medicamento e geraram discussões sobre rotulagens e dosagens, entre outros resultados.

The Deadly Choices at Memorial

ProPublica e a revista semanal New York Times do jornal de mesmo nome publicaram a reportagem “The Deadly Choices at Memorial” (2009), de autoria da doutora Sheri Fink, sobre decisões de vida e morte tomadas por médicos em um hospital isolado pelas enchentes do furacão Katrina. A matéria mostrou que ao menos 17 pacientes foram injetados com morfina ou midazolam em doses elevadas e foram a óbito no local. Isso gerou comoção e discussão pública sobre ética médica, debate sobre eutanásia e críticas aos procedimentos de triagem. Uma médica e duas enfermeiras foram presas, mas não houve condenação, sendo elas liberadas posteriormente. Pela reportagem, Sheri Fink recebeu o Prêmio Pulitzer de 2010. O projeto custou cerca de US$400.000 (quatrocentos mil dólares) ou R$2.186.360,00 na cotação atual.

Foto meramente ilustrativa mostra o jornal impresso The New York Times sobre uma mesa, aludindo ao tema do post: o preço da reportagem.
Qual o preço da reportagem? Algumas superam os US$400.000. Foto meramente ilustrativa: Sarah Shull | Unsplash

O preço da reportagem: qual a sua reportagem mais cara?

Agora que ficou sabendo o preço da reportagem, isto é, o valor pago em algumas das reportagens mais caras da história, nada mais justo do que você retribuir informando quanto custou a reportagem mais cara que você já produziu. Responda aí nos comentários! Aproveite e compartilhe este post com seus colegas jornalistas e estudantes da área de comunicação social!

Marinaldo Gomes Pedrosa

Marinaldo Gomes Pedrosa

Marinaldo Gomes Pedrosa é bacharel em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pela UniSant'Anna. É registrado como Jornalista pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego sob o MTB número 0074698/SP desde 27 de setembro de 2013. Ele também é editor na Magpe Books.

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