Os prêmios de jornalismo, assim como tudo na vida, nascem, se desenvolvem e depois desaparecem. Alguns, porém, duram mais tempo do que outros, existindo por mais de dez, vinte, trinta, quarenta anos, e até mais do que isso. Estes, que passam a ser considerados tradicionais, são os mais interessantes justamente porque parecem absolutos, plenos, definitivos. Parece até que eles existiam, existem e existirão, imunes ao tempo.
Em um passado recente, dois prêmios de jornalismo mais cobiçados nacionalmente, o ESSO e o Abril, tinham essa característica. Contudo, ambos foram encerrados e agora estão em vias de serem esquecidos. Eles têm, sim, relevância histórica, mas daqui a uma ou duas gerações talvez nem sequer sejam mais mencionados. A descontinuação fez com que o fio da tradição fosse cortado, diminuindo suas importâncias.
Índice
Por outro lado, os que persistem e continuam existindo são como vinho. A cada ano ficam melhores. Neste artigo, você irá conhecer três deles. São três prêmios nacionais tradicionais, desses que as redações de jornalismo consideram de participação obrigatória, já que vencê-los pode trazer mais prestígio, notoriedade e credibilidade.

Prêmios de jornalismo tradicionais
Entre os prêmios de jornalismo mais tradicionais e que ainda são realizados periodicamente no Brasil temos, por exemplo:
Prêmio Vladimir Herzog
O
Atualmente em sua 47ª edição, o prêmio é organizado por um instituto homônimo e mais 13 instituições, entre as quais a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e a Sociedade Brasileira dos Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom).
Cerca de 600 comunicadores brasileiros e latino-americanos já foram condecorados com o Prêmio Vladimir Herzog ao longo de sua história. Ele tem recebido uma média de 1.000 inscrições de reportagens por edição nas categorias de produção jornalística em texto, áudio, vídeo, multimídia, fotografia e ilustração, além de livro-reportagem.
Já venceram o prêmio a Eliane Brum com a reportagem de revista intitulada “A guerra dos embriões”; Carlos Dorneles com o livro-reportagem “Bar Bodega – Um crime de imprensa”; e Radiografia da Educação Mineira; e Yan Boechat na categoria fotografia pelo trabalho “As vítimas da copa do mundo do Catar”; entre outros jornalistas.
Prêmio Sebrae de Jornalismo
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas lançou o Prêmio Sebrae de Jornalismo em 2008 com a finalidade de prestigiar os autores das melhores reportagens sobre empreendedorismo no Brasil. E, além de valorizar o trabalho dos comunicadores, os organizadores visam promover maior visibilidade e contribuir para o desenvolvimento de pequenos negócios.
Essa premiação acontece em três etapas. A primeira delas, a estadual, classifica os participantes para a segunda etapa, a regional. E a regional, por sua vez, classifica os finalistas para a etapa nacional. Já venceram o prêmio o Eduardo Correa com a reportagem de rádio “Empreendedorismo no litoral do Paraná para garantir sustento o ano inteiro”; Alexandre Guzanshe com a matéria “Sertão Grande”; e Marcos Maluf com “Do puxadinho que vira legado ao sonho rompido à luz da pandemia”, por exemplo.
Em 2025 ocorreu a 12ª edição do Prêmio Sebrae de Jornalismo. Ao todo, os organizadores receberam cerca de 3.500 inscrições, o que representou 12% de aumento em relação à edição anterior, caracterizando-se como novo recorde.
Foram distribuídos prêmios para os jornalistas com as melhores matérias nas categorias de texto, áudio, vídeo, fotojornalismo e jornalismo universitário, além do Grande Prêmio Sebrae de Jornalismo para a melhor reportagem entre todas as categorias.
Prêmio AGF
AGF é a sigla para Adelmo Genro Filho (1951-1988), um pesquisador, jornalista a ativista político gaúcho que liderava frentes e movimentos sociais contra a ditadura militar no Brasil nas décadas de 1960 e 1970.
O Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo, vulgo Prêmio AGF, foi criado em 2004 como uma homenagem da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) ao referido jornalista. Ele tem como objetivo prestigiar o trabalho de estudantes universitários e de institutos de pesquisa da área de comunicação social.
Atualmente em sua 22ª edição, o Prêmio AGF reconhece anualmente os melhores trabalhos de pesquisadores na área de jornalismo nas categorias de iniciação científica, mestrado, doutorado, pesquisa aplicada e sênior.
Jornalistas e professores muito conhecidos publicamente como Edvaldo Pereira Lima (USP), Cremilda de Araújo Medina (USP), Muniz Sodré de Araújo Cabral (UFRJ) e Nilson Lage (UFSC), entre outros, já ganharam esse prêmio em algum momento de suas vidas.
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Outros prêmios de jornalismo tradicionais
Os prêmios de jornalismo do Sebrae, Vladimir Herzog e AGF é claro, não são os únicos com tradição no Brasil. Eles são, na verdade, apenas três entre os mais interessantes para se almejar.
Há outros como o da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o Prêmio CNT de Jornalismo, que ocorre desde 1994; e o da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o ABP de Jornalismo, que acontece desde 2014.
Outros, ainda, como o C6, MOL e do Poder Judiciário, originados mais recentemente, precisam de muitas mais edições para que possam um dia se tornarem tradicionais e, assim, emanarem aquele “arzinho” de absolutos, plenos, definitivos e imortais.






