Existem várias
Pode ser que sim e pode ser que não. Mas seja como for, é importante mencionar que o jornalismo sobreviveu a todas as tecnologias até este instante. No caminho já tombaram o telegrafo, as câmeras analógicas e as máquinas de escrever, por exemplo, mas o jornalismo vive e, até aqui, os jornalistas também, apesar de tentarem nos matar todos os dias.
Índice
Neste artigo, vamos conhecer algumas ferramentas muito utilizadas das redações ao longo do século 20. Todas elas sobreviveram por algumas décadas, tiveram seu auge, mas depois foram substituídas por recursos melhores, mais rápidos e mais eficientes.

Tecnologias que marcaram época no jornalismo
Confira a partir de agora algumas tecnologias que marcaram época no jornalismo, mas que já não estão mais entre nós.
Telégrafo
Antes do telégrafo, a velocidade da notícia se equiparava à velocidade do transporte, podendo levar dias ou até meses para ser publicada em um jornal. A tecnologia agilizou as coisas ao possibilitar transmissão imediata de informações por meio do código Morse. Reinou no jornalismo de 1840 até 1930.
Máquina de escrever
A máquina de escrever foi uma das tecnologias que marcaram época no jornalismo e com maior longevidade na área. Inventada em 1829, ela dominou as redações de 1880 até 1990. Substituiu a escrita à mão, proporcionando maior agilidade na produção jornalística, mas acrescentou o “tec, tec” no dia a dia do jornalista.
Linotipo
A máquina de linotipo agilizou a composição de textos para impressão. Ao invés de catar as letras em uma gaveta, o operador do linotipo digitava-as e a máquina injetava chumbo quente em moldes, gerando frases completas de uma só vez. A dinastia do linotipo durou de 1890 até 1975, quando foi substituído pela fotocomposição e editoração eletrônica.
Tubo pneumático
O tubo pneumático consiste em um sistema de dutos pelos quais cápsulas seladas são propelidas por meio de pressão de ar comprimido e vácuo. Conectados dentro de um prédio ou entre prédios, e com cápsulas que podem carregar desde mensagens até objetos, esses tubos funcionam como uma intranet física. Foi útil nas redações de 1900 até 1980.
Telefoto
No início do século 20 foram criados os primeiros aparelhos de telefoto, também chamadas de wirephoto, radiofoto ou fototelegrafia, que possibilitavam transmitir fotografias pela linha telefônica. Esses aparelhos tornaram-se populares na indústria jornalística entre os anos 1920 e 1995. Caíram em desuso com a ascensão da internet.
Telex
Sucessor do telégrafo, o telex automatizou a criação, envio e leitura de mensagens. Enquanto o telégrafo requeria um operador para enviar e outro para receber e decodificar as mensagens, o telex decodificava automaticamente e revelava um texto impresso em caracteres alfanuméricos. Foi bastante utilizado entre 1930 e 1990 nas redações.
Câmera analógica
Reinou durante um século no jornalismo, desde 1900 até 2000, permitindo aos jornais e revistas ilustrar matérias com fotos. As imagens eram gravadas em filmes, que depois precisavam ser revelados em formato de fotografia nos laboratórios, o que podia demorar dias. A câmera analógica foi substituída pela digital, que revela fotos em segundos.
Gravador K7
Até pouco tempo atrás era comumente citado como ferramenta de jornalismo nos cursos universitários da área, sendo ideal para gravar entrevistas. Foi lançado em 1963 e reinou entre os repórteres até mais ou menos 2005, quando foi substituído por gravadores digitais e também pelos smartphones.
Fax
O fax é outra das tecnologias que marcaram época no jornalismo. Surgiu antes do telefone, mas só se popularizou por volta dos anos 1970. Entre 1980 e 2000 foi especialmente útil nas redações jornalísticas, permitindo enviar e receber documentos e informações com agilidade, aumentando a velocidade da apuração e produção de notícias e reportagens.
Pager
Modinha nos anos 1990, o pager foi inventado muito antes, em 1949. Seu diferencial, na época, era a portabilidade. Pequeno, leve e fácil de usar, e com conectividade móvel, ofereceu mais praticidade na troca de mensagens entre repórteres e editores. Perdeu sua utilidade por volta dos anos 2000.
Essas tecnologias que marcaram época no jornalismo, mas que agora não são mais utilizadas, não são as únicas. Outras como o disquete e o CD ROM, também já tiveram seu auge e o seu fim decretado. Com um pouco de pesquisa e paciência é possível encontrar muitas outras e também muitos processos, que já não existem mais ou que foram substituídos.
O jornalista será o próximo a ser substituído?
Há uma década, a maioria das pessoas duvidava que uma inteligência artificial pudesse ser capaz de produzir um texto que fosse coerente e que, dessa forma, ameaçasse a criatividade dos escritores, redatores e jornalistas em geral. Hoje existe não só uma, mas várias IAs que fazem isso e muito mais.
Pense em quantos milhares de ilustradores, roteiristas, programadores, redatores, dubladores, tradutores e jornalistas, entre outros profissionais, já foram demitidos desde a ascensão das IAs. Muitos foram e outros mais estão sendo substituídos porque as inteligências artificiais produzem todo tipo de narrativa midiática, trabalhando, transitando e integrando texto, fotos, vídeos e áudios. Até homilias elas fazem e às vezes se saem melhores que os padres.
Olhando por esse lado, o jornalista humano poderia ser encarado aqui como uma tecnologia analógica que pouco a pouco está sendo comutada por outra que é mais rápida e até mais eficiente em alguns casos.
Agora, as IAs estão ganhando corpos robóticos que têm alta mobilidade, e estão cada vez mais implementadas com sentidos como o da visão, audição e mais recentemente até olfato, que lhes aumentam a capacidade de ver e sentir o mundo. Ainda não têm intencionalidade, mas nada impede que alguém programe isso mais cedo ou mais tarde. E o que vai acontecer depois disso eu não sei. Tudo o que sei é que é impressionante e assustador ao mesmo tempo.



