A transformação do jornalismo nos últimos anos tem gerado inúmeros desafios aos jornalistas e empreendedores da comunicação. Mudanças estruturais, tecnológicas e técnicas nas redações geradas pela ascensão das big techs fomentam a cultura da velocidade, a pressão por engajamento, a exigência para produzir altas quantidades de conteúdo e a necessidade de ocupar diferentes canais para atingir o público em todos os lugares.
Soma-se a isso o problema da sustentabilidade das empresas de comunicação, cuja principal fonte de receita está sendo drenada por big techs, gerando o enfraquecimento do jornalismo, a perda de credibilidade e passaralhos, muitos passaralhos.
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E mais. Onde não há passaralho, há precarização do trabalho, perdas de benefícios, perda de direitos, redução de salários e intensificação da jornada. Isso tem gerado altos níveis de estresse nas redações, aumentando a probabilidades dos jornalistas desenvolverem ou agravarem doenças como ansiedade e depressão.
Transformação no jornalismo: possíveis causas
Na imprensa, o que mais se fala hoje em dia é sobre transformação no jornalismo. Se a transformação fosse para melhor, provavelmente ninguém estaria dizendo nada a respeito. Seja como for, se a mudança existe e está acontecendo, precisamos saber as causas. Leia a seguir algumas possíveis.
1. Crise do modelo de negócios
Com as big techs sugando os recursos da publicidade, o jornalismo perdeu receita e precisou reduzir custos. Isso gerou resultados como o fechamento de redações, ondas de demissões e a criação de redações enxutas.
Além disso, o modelo de negócios impresso “perdeu” para o jornalismo digital, onde a notícia trafega na velocidade da luz e, por isso, como diria um colega de faculdade, “notícia virou mato”. Não precisa procurar, tem em todo lugar.
2. Impacto das tecnologias
Não dá para falar em transformação no jornalismo sem citar o impacto das novas tecnologias, a evolução dos smartphones, das redes sociais, dos motores de buscas e agora também das inteligências artificiais.
O meme “Tava bom, tava ruim, mas agora parece que piorou?” encaixa bem aqui. As inovações geram pressão para criar quantidades enormes de conteúdo, em alta velocidade, para um número cada vez maior de canais, e sob a ditadura do algoritmo e das métricas de audiência.

3. Ameaça à credibilidade
A desinformação surgiu como uma das maiores vilãs da área de comunicação social nos últimos anos. Fator preponderante para isso é que o jornalismo tornou-se alvo para grupos políticos polarizados. Notícias falsas proliferam e minam a confiança do público na imprensa.
Buscadores e redes sociais pioram o processo. De acordo com o “Reuters Institute Digital News Report 2025“, 62% dos pesquisados deste estudo não consideram os veículos de imprensa como o primeiro lugar a buscar informação. Eles preferem o Google, Facebook, Youtube, etc.
4. Mudança de hábito do público
Como dito anteriormente, hoje em dia a “notícia é mato”. O leitor não precisa mais comprar um jornal e buscar saber das informações. Ele simplesmente abre uma rede social ou um site de buscas e as notícias aparecem. O algoritmo é o entregador. Não existe mais uma busca ativa.
A internet brilha e faz barulho como aqueles antigos fliperamas. Os leitores são chamados aqui e acolá para leituras rápidas. Com a atenção comprometida, fragmentada, eles não conseguem mais ler textos longos e aprofundados, forçando as redações a criarem conteúdos superficiais.
5. Pressão sobre os jornalistas
Com a cultura da velocidade, o chicote estrala nas costas dos jornalistas. A falta de verba faz os salários encolherem. A não exigência de diploma empobrece a profissão. Além da precarização do trabalho, o jornalista enfrenta violência de todos os lados.
Perdas de benefícios e de direitos, jornadas intensas, falta de pausas e outros reveses geram estresse, surgimento e agravamento de doenças nos jornalistas. Depressão, ansiedade e burnout são algumas das queixas dentro das redações.
Existe solução?
Solução? Como brecar o culto à velocidade em uma sociedade onde o tempo é dinheiro? Como reduzir a precarização no trabalho quando as empresas e sobretudo as big techs visam reduzir custos para, dessa maneira, gerar mais lucro para proprietários e investidores? Como impedir que as big techs se apropriem de conteúdo jornalístico neste cenário? Deveríamos fazer uma revolução, virar a chave do capitalismo para o socialismo e, depois, para o comunismo? Se você tiver alguma boa resposta para alguma dessas perguntas, deixe ela nos comentários logo abaixo.



