O ditado “
A apresentadora do talk show Morning Joe, Mika Brzezinski, por exemplo, após fazer críticas à presidência foi atacada na rede social Twitter (atual X), em 2017, onde Trump a chamou de “louca” e disse que ela estava “sangrando mal de um facelift“. Na mesma ocasião, o republicano rotulou Joe Scarborough como “Psycho Joe”, sugerindo que este seria uma pessoa instável.
Já em 2018, o jornalista da CNN, Jim Acosta, fez perguntas incisivas sobre imigração e, por isso, Trump o classificou como “rude” e “pessoa horrível”, e depois suspendeu a credencial do repórter na Casa Branca.

O jornalista da NBC News, Peter Alexander, foi outro que passou por maus bocados na Casa Branca. Durante uma coletiva, em 2025, ele questionou sobre medidas relacionadas à pandemia ao que Trump respondeu com frases como “O nome dele é Peter qualquer coisa. É um péssimo repórter” e “Você é um verdadeiro idiota”.
De acordo com a Redação do Media Talks, Trump tuitou 2.520 mensagens contra a imprensa durante seu primeiro mandato, de 2017 a 2021. E no artigo “Trump, 100 dias” é revelado que o mandatário estadunidense baniu a Associated Press dos eventos da Casa Branca por 74 dias, postou mensagens ofensivas contra jornalistas em 64 ocasiões na rede Truth Social e moveu 4 processos judiciais contra veículos de imprensa, entre outras ações contabilizadas apenas nos primeiros três meses de seu segundo mandato.
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Como se vê, as trolagens feitas por Trump não são piadas para gerar descontração e risos. Não são as brincadeiras inocentes de um palhaço. Também não servem apenas para causar discórdia entre as pessoas. Mais do que isso, elas têm cara de ser uma tática de comunicação com diversos objetivos.
Possíveis objetivos da trolagem de jornalistas
A trolagem de jornalistas e de veículos de comunicação pode não ser algo aleatório ou mera retaliação de opiniões contrárias, mas uma tática dos assessores de comunicação do presidente para:
- Descredibilizar a imprensa publicamente;
- Rotular a imprensa como “inimiga do povo”;
- Mobilizar a base de eleitores por meio de narrativa do tipo “nós contra eles”;
- Restringir o acesso à informação para fins de controle narrativo.
Isso funciona porque gera manchetes instantâneas que, bem ou mal, mantêm o presidente na boca e na memória do povo. Também gera polarização política, manipulação e mobilização emocional do público, desvio de foco de escândalos e temas delicados, controle do ciclo de notícias, cria slogans que podem ser usados contra opositores, entre outros fatores.
Desse modo, sempre que o presidente Donald Trump estiver praticando a trolagem de jornalistas, o que acontece quase todo dia, devemos nos perguntar coisas como “Quem ele está tentando manipular?” ou “O que ele está tentando esconder com essa cortina de fumaça?”.



